A Cerveja Pilsen, ou o estilo Pilsen, falam, basicamente de uma cerveja mais clara. Com teor alcoólico entre 4,2% e 5,4% e, com um brilho dourado, fazendo lembrar ‘ouro liquido’. Apresentam um aroma rico e complexo de malte, com notas levemente picantes. Tem um amargor suave, e dá para sentir tanto o aroma, quanto o sabor do lúpulo.

São excelentes acompanhantes em churrascos, harmonizando bem com sanduiches, saladas, arroz, tortas, e até milho. Mas, uma Pilsen é, antes disto, resultado de uma verdadeira revolução na forma de fazer cerveja.

O mundo antes da Pilsen

Para muita gente, uma cerveja Pilsen é, o tipo mais comum encontrado no mercado. A Pilsen que bebemos, vindas das grandes fabricantes de cervejas, tem muito milho e arroz, diferente da versão original. Feita em Plzen (Pilsen) em meados de 1840.

As histórias mudam, um pouco conforme a fonte, mas sites como Huffingtonpost, e Thespruce, falam da versão mais conhecida. É ela que vamos contar. Quando você pensa em cerveja, o que lhe vem à mente? Pois é, quase todo mundo pensa no copo – ou caneco – cheio deste liquido claro, translucido, dourado e com aroma suave.

Esta imagem não corresponde ao que era a cerveja comum, há cerca de 170 anos. Ela era turva, com um sabor forte, um amargor bem presente. Podia ser encontrada com toques até defumados, devido ao modo como os grãos de malte eram tratados.

Era uma bebida que não atrairia muitos dos consumidores de hoje. Tanto é, que não é raro ver alguém torcer o nariz para as cervejas feitas de maneira mais tradicional. Não é o que consideramos cerveja.

Tudo começou com a cerveja indo rua abaixo

Falando sério, houve mesmo cerveja nas ruas. De um jeito que dói até de pensar. Não pelo desperdício, e sim, pela péssima qualidade da cerveja na época. Aconteceu mesmo, o fato é que na cidade de Plzen, lá em 1838, houve uma revolta da cerveja. Veja bem, a coisa não foi tão grande quanto uma revolta, mas foi uma reclamação publica de peso.

Na cidade haviam vários cervejeiros, mas o problema, é que cada um fabricava e vendia, da forma que quisesse. Havia uma contaminação ainda não conhecida ou tratada que estragava facilmente as cervejas. E, com a qualidade oscilando tanto, cada um vendia pelo preço que quisesse.

Sem padrão, as cervejas perdiam qualidade, e a cidade estava começando a ver ‘cerveja de fora’ sendo vista como solução. As tabernas da cidade queriam importar cerveja. Foi a gota d’água, a população se reuniu, e jogou fora, literalmente, 36 barris de cerveja, como reclamação.

A cerveja está ruim? Vamos fazer uma cervejaria nova!

Barris de cerveja pilsen em local apropriado

A solução proposta foi a criação de uma cervejaria, a cervejaria Burgher. Para a empreitada, chamaram um arquiteto, Martin Stelzer, e um mestre cervejeiro, Josef Groll. Os nomes deles não aparecem por acaso, é que Martin Stelzer escolheu o lugar perfeito, pelas propriedades do terreno. E foi Josef Groll quem desenvolveu o modo de preparo e a receita certa.

A nova era das cervejas começou a engatinhar em janeiro de 1839, com o início da construção da nova cervejaria. Em 5 de outubro de 1842, o primeiro lote de cervejas foi fabricado. Apenas cinco semanas se passaram desde que o primeiro lote avia sido fabricado. E em 11 de novembro, eles foram provar a nova cerveja, sem esperar, veio a surpresa.

Como assim é a cerveja mais clara já criada?

Ela era dourada. Ok, pode ser que para você isto seja normal, mas, saiba que era a primeira cerveja dourada do mundo. Era uma cerveja refrescante, limpa, com uma leve doçura caramelizada, e um toque de amargor suave vindo do lúpulo. A cidade toda ficou encantada. Ninguém – no mundo – nunca havia visto uma cerveja como aquela.

E na receita, o que havia era malte, lúpulo, levedura e água. Pois é. Só isto. O que mudou, e fez a cerveja Pilsen ficar tão clara e suave perto das outras, foi o modo de fazer. Claro, ajudou um pouco o fato de que em Plzen eles tem acesso a uma água considerada leve e perfeita. Além do malte extraordinário, e o Lúpulo único, com um toque picante e de amargor suave, equilibrado.

Contrabando de leveduras para a Pilsen. Será?

A lenda conta que Groll contrabandeou a levedura diretamente da Bavária, onde ele morava, para a Boêmia. Este fermento especial teria sido o responsável pela baixa fermentação. Note que alta fermentação e baixa fermentação causam uma confusão constante. É mais fácil pensar que alta fermentação ocorre no topo, e baixa fermentação, ocorre na base.

Hoje em dia a baixa fermentação é bem comum. Antes, era uma grande novidade. Além disto, a cervejaria havia sido construída em uma área onde era possível escavar e moldar tuneis para armazenamento, em temperaturas mais frias. Lembra da vantagem do terreno que o Martin Stelzer viu? A maturação assim acabava clarificando ainda mais o resultado. Muito esperto da parte dele, não acha?

O sapatinho de cristal para a cerveja Pilsen

A tonalidade inconfundível da cerveja pilsen

Há quem conte por aí que nesta mesma época os copos de vidro haviam começado a surgir. Isto teria feito a cor única da Pilsen se destacar mais ainda na época. Pois é, ela apareceu e ganhou uma forma de mostrar ainda melhor sua aparência. A história diz que isto favoreceu muito a popularização da Pilsen, fato é, que o copo ajuda muito. Já sabemos disto.

No final, a cerveja Pilsen recém-criada conseguia manter um colarinho denso e bem visível por um bom tempo. E, com copos claros, todos conseguiam ver. Não era doce demais – como as primeiras cervejas produzidas – nem amarga demais. Era mesmo refrescante, suave, em relação as outras. E logo em seguida, ganhou imitadores.

Só é Pilsen se for Pilsner Urquell

Coleção de garrafas de uma antiga cerveja pilsen

Tanto é, que o nome Pilsen – também escrito Pilsener – deixou de ser referencia a origem, e passou a ser estilo. Quando se fala da Pilsener original, o nome certo é Pilsner Urquell, uma referencia a origem na cidade de Plzen.

Atualmente as ditas Pilsen usam além do malte, lúpulo, levedura e água, cereais não maltados, em grande escala. Não é o que Josef Groll chamaria de Pilsen. São lagers, ales, mas, no rótulo, lemos Pilsen na hora de comprar. O que bebemos, não são mais imitações, e sim, variações do mesmo estilo.

Você conhece e nem sabia, detalhes da cerveja Pilsen

Há dois estilos principais de Pilsen. A Bohemian Pilsen, que lembra um pouco notas de biscoito (é isto mesmo!) e tem um amargo de fundo. Mas nada muito forte. Tem ainda um malte adocicado, ou como dizem, tons de caramelo. O lúpulo também está presente com todo seu sabor e aroma.

Já o outro estilo, as German Pils, é diferente. Ela tem uma espuma mais densa, um amargo que marca, e um aroma que acompanha o sabor do lúpulo. E já que falamos de copos, é melhor beber em copos Lager. Sim, gelada é o modo tradicional de servir, que pode ser com vários acompanhamentos.

São boas combinações com frutos do mar, pizzas – de queijo principalmente. Mas você pode tomar com o churrasco se quiser, o gosto é seu. 😊

Se não for puro malte, é Pilsen?

Algo que é discutível – e eu não quer levantar polemicas – é que a Pilsen de verdade deveria ser puro malte. Se for assim, quando der uma volta no mercado, vai ver que a grande parte das etiquetadas Pilsen, não o são.

Se tem ‘cereal não maltado’ lá nos ingredientes, não é Pilsen. Não somos só nós a falar, você vai achar mais gente falando isto também. Vale também ter em mente que a cerveja não precisa estar estupidamente gelada. É sério. Esta ideia do gelado extremo se dá porque é preciso enganar o gosto. Gelada não percebemos os defeitos do sabor.

Agora, se você quer tomar uma cerveja Pilsen de verdade, temos uma lista a seguir. São só oito, mas escolhemos as que costumam caber nos bolsos sem ferir o paladar, é só escolher:

  • Heineken;
  • Baden Baden;
  • Banbert;
  • Eisenbahn;
  • Therezópolis;
  • Madalena;
  • Original;
  • Stella Artois.

Elas não vieram de Plzen, mas são puro malte, e são classificadas entre boas e ótimas pelos consumidores. Escolha a sua e conte para nós sua opinião.