IPA é a sigla para India Pale Ale. As cervejas IPA são de uma coloração entre ou dourado e o acobreado, e com um teor alcoólico entre 5,5% e 7,5%. Com o lúpulo bem presente, a principal diferença entre uma cerveja IPA e outra é a mistura de tipos diferentes de lúpulos. Cada mistura cria um verdadeiro bouquet próprio e único de sabor e aroma.

O estilo surgiu na Inglaterra, são muito mais amargas que as American Pale Ale, e bem mais aromáticas. Contudo, são também muito fáceis de beber. Quando começamos a pesquisar a origem das IPAs, a maioria das informações levava a mesma história:

A cerveja IPA havia sido criada para aguentar o percurso até as Índias, com um acréscimo de lúpulo como conservante. E, por isto tinham um gosto mais forte.

Seria uma história até plausível, mas a gente queria ter certeza de contar a coisa do jeito certo. Pesquisando um pouco mais, conseguimos achar a “verdade sobre as origens da cerveja IPA”.

Quase tudo é fato, de Porter à cerveja IPA.

Foi no Beer Connoiseur, entre outros, que vasculhamos e descobrimos como a cerveja IPA surgiu de verdade, e trouxemos a história resumida para vocês. O fato é que ela não foi criada porque era uma necessidade na Índia.

Ela começou a ser fabricada por cervejeiros anônimos, que em 1760 haviam começado a colocar mais lúpulo nas cervejas. A orientação geral, é que o lúpulo ajudava a conservar. Então, se fosse guardar muito, ou mandar pelo Tâmisa, o lúpulo ajudaria.

Mas, entenda, as cervejas Porter já eram vendidas normalmente para climas quentes. Sem estragos, mesmo em viagens de quatro meses no mar.

Porém, quando o comercio com Bombaim começou a ser explorado, os comandantes de navios que viajavam para Índia queriam comodidade. Assim, na busca por cervejas para levar, escolheram o bar mais próximo do cais como fornecedor. Eis que este bar era a cervejaria de Hodgson’s Bow.

George Hodgson, assim como os outros cervejeiros do Reino unido, já colocava mais lúpulo nas cervejas Pale Ale. Pois é, em 1760 elas iam para Bombaim com o nome de Pale Ale. Em algum momento entre 1780 e 1800 ela passou a ser chamada de Indian Pale Ale. Ou “Pale Ale preparado para o Clima do Leste e Oeste da Índia”.

Cerveja IPA é bem melhor, não precisa ser um nome tão longo.

Como a IPA caiu no gosto dos americanos? Aqui a questão muda, a IPA Indian Pale Ale não é a mesma que caiu no gosto americano. Mas serviu de base. As American Ipa são produzidas com lúpulos americanos em sua maioria. E, começaram a ser fabricadas – ou apresentadas ao mundo – só a partir de 1970. 200 anos depois da prima britânica.

Não é Lager, nem é Pilsner, é IPA!

Esta não dá para confundir. Se você andou lendo aqui e aqui, viu mais sobre as Pilsner e as Lagers, e agora vai conseguir perceber a diferença entre elas. Já começa na fabricação.

As IPA são produzidas com uma levedura que ‘rende melhor’ em temperaturas altas. A fermentação ocorre a 18ºC. E, com isto, a fabricação é também mais rápida. O tempo de fermentação é de 4-5 dias. Uma Pilsner precisa de ‘frio’ e tempo. Semanas.

Um dos aromas resultantes é o frutado de leve. Logo ao lado do amargor do lúpulo. E, como vimos antes, o lúpulo é mesmo um dos ingredientes que ajudam na conservação, e é por causa dele que as cervejas duravam mais.

Mostura, fervura, fermentação.

Não, esta não é a receita. É um apanhado básico pelo processo de fabricação de uma cerveja IPA, mas outras também passam por um processo parecido. Tudo começa com a Mostura. É quando os açúcares do malte – de cevada, ou outros cereais – se mistura com a água.

Na sequência, temos a Fervura, o mosto vai para a caldeira ferver, e ganha sua primeira dose de lúpulo. Aqui ele libera as enzimas que vão agir como um conservante natural. Esta primeira dose serve também para ajudar a tirar o máximo do amargor.

Depois, é hora da Fermentação. Aqui também é feito o Dry Hopping, quando uma dose extra de lúpulo é acrescentada para acentuar os aromas. Agora o objetivo é fazer o gosto do lúpulo fixar por mais tempo.

Tem lúpulo e cerveja IPA para todo mundo!

Existem diferentes tipos de lúpulos e a combinação entre eles vai determinar as características da cerveja. Quem acha que lúpulo é tudo igual está redondamente enganado. Só para citar alguns nomes, temos:

  • Amarillo
  • Simcoe
  • Cascade
  • Centennial
  • Chinook
  • Citra
  • Mosaic
  • Columbus

Todos usados na fabricação de excelentes IPAS americanas. Tem até um concurso que premia o cervejeiro que consegue fazer uma boa cerveja IPA sem usar a maioria destes citados. Segundo eles, cerveja de qualidade depende de mais do que apenas bons ingredientes. E tem gente que faz.

Por isto que tem lúpulo para todo mundo. Mas, tem cerveja IPA em vários estilos também. Só para falar algumas, tem a English IPA, a Double Ipa, e até a Black IPA. Para provar que tem muita gente que gosta de uma cerveja mais amarga para acompanhar o churrasco do final de semana. Tem preços de cerveja IPA que permitem esta mistura sem medo. #cervejaechurrasco.

English IPA, com mais malte, e lúpulo não tão acentuado: Esta é bem próximo do estilo tradicional. É mais amarga, e tem uma graduação alcoólica bem variada. Vai de 3,2% com as Standartd Bitter até 6,2% com as Extra Special Bitter.

Black IPA: A cerveja IPA, escura. Os nomes mais comuns são India Black Ale, Dark IPA entre outros. No restante, são similares as outras cervejas IPAS.

Double IPA, ou Imperial IPA é a mais forte: Esta é resultado da briga do lúpulo que os cervejeiros resolveram lutar. Falo briga, porque as cervejas IPA começaram a ter índices de amargor sendo desafiados. E aqui, não é só o amargo do lúpulo, é também o álcool. As mais intensas chegam a 9,1% de teor alcoólico, um bom exemplo é a Bodebrown Perigosa.